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Antes do Majestoso, Pato diz: ‘Corintianos pedem para eu voltar’

pato

Avoado, descompromissado, deslumbrado com a fama. Bastam alguns instantes de conversa com Alexandre Pato para perceber que muito dos rótulos conferidos não condizem com a realidade. Aos 25 anos, o atacante carrega o peso de quem foi desde menino apontado como fora de série e ainda precisa explicar que sua carreira pode chegar no nível imaginado quando ele era escondido nos treinos do Internacional, no qual assombrava com seu talento acima da média, para não despertar a cobiça do futebol europeu.

Pato demorou a engrenar e chegou a ser quarto reserva no São Paulo, mas finalmente conquistou a tão esperada sequência de partidas e virou peça fundamental no esquema de Juan Carlos Osorio.

No entanto, no domingo, mais uma vez, o atacante terá a sequência interrompida porque o adversário é o Corinthians, pelo qual está emprestado. Ele deve ir ao Morumbi pela segunda vez (foi na Libertadores) assistir ao jogo, vai torcer para o São Paulo, e, antes do duelo, conversou com o LANCE!. Garantiu, entre outras coisas, que os corintianos pedem sua volta, apesar do caminhão de críticas que sofreu lá. Jogará onde em 2016, então?

– A minha vontade é permanecer no São Paulo, mas também não pus um ponto final no que fiz na Europa – afirmou o atacante.
Você teve alguns altos e baixos na carreira e agora parece viver seu melhor momento. Você sente dessa forma?

Discordo que não dei certo ou que tive mais baixos do que altos. Nas oportunidades que tive no Corinthians acho que fui bem; sempre me dediquei ao máximo e no São Paulo era uma troca difícil, porque precisava agradar não só ao treinador, mas a uma torcida nova e a pessoas que talvez não gostassem de quem era adversário. Agora com Osorio estou conseguindo o que queria desde quando cheguei no São Paulo, que é uma pessoa que confie no meu trabalho, que me deixe seguro do que posso fazer. O Osorio tem dado isso, da mesma forma como o Muricy me deu. Não posso falar se é meu melhor momento, mas talvez seja a melhor sequência desde o meu retorno.

Você é cobrado ou hostilizado por corintianos na rua?

Não, ao contrário. Nunca teve nada. Eles pedem para eu voltar. Falam: “Pato, volta para fazer gol para a gente”. Recebo carinho.

Você então jogaria no Corinthians?

Claro, sou profissional. Tenho contrato e, se não tiver nada, terei de cumprir com o que está escrito.

Apesar dos seus bons números, você é muito criticado. Você acha que te cobram além do que você pode dar?

Depende de quem olha o jogo. Tem muita gente que não entende e fala e tem um alcance na mídia que atinge muitas pessoas. É muito difícil falar sempre bem da pessoa; se você faz um gol é gênio e se erra é porque está desligado. Você tem que dar mérito ao todo. Eu errei um gol outro dia e falaram “o Pato deveria ter feito isso e aquilo”. Não é só isso, existe do outro lado um goleiro que está trabalhando todo dia e que fez uma defesa. Meu modo de ser atrapalha algumas pessoas no Brasil; não vou dar carrinho o tempo todo, mas vou correr sempre, é só perguntar para os fisiologistas. Jogo para meu grupo, para eles ficarem satisfeitos.

Acha que por não dar carrinhos você fica marcado?

No Brasil, algumas vezes é mais importante dar um carrinho do que fazer um gol. Prefiro continuar correndo e me esforçando e ser cobrado por um companheiro que passa boa parte do dia na minha convivência ao invés de ser cobrado pela mídia porque sei que ele está vendo onde posso melhorar e muitas vezes as pessoas não tem a convivência que temos aqui. Prefiro um xingamento de um companheiro do que das pessoas de fora.

Mas às vezes o jogador pode não te cobrar e falar para os outros…

Se você é um companheiro leal, de grupo, não vai ficar falando coisas que deveriam ficar dentro do clube e acabam saindo. Tem jogadores que conversam (com jornalistas), outros não. Eu não tenho problema em conversar com jornalista, mas daí a passar algo de dentro, isso é muito além. Tem coisas que você fala dentro do vestiário que não deviam sair, mas cada um é cada um, eu tento respeitar meus companheiros.

Acontece mais aqui ou fora?

É do futebol, vai acontecer aqui ou na China. Em qualquer lugar.

Isso é o que no meio as pessoas chamam de trairagem?

Trairagem é uma palavra muito forte, mas se eu pudesse dizer algo é que não concordo com isso.

Como você lida com as críticas?

Eu não deixo de ler as matérias, tenho minhas redes sociais, mas isso é da vida. Meu pai tinha críticas, minha mãe, que era merendeira, recebia críticas. Você convive com elas, mas vai de você crescer ou ser derrubado. Sei que sempre serei criticado, mas é algo que tento fazer crescer.

Você faz parte de um elenco que muitas vezes parece não aceitar críticas. Isso não pode passar a imagem de um grupo “mimado”?

Futebol é polêmica, alegria, tristeza. Às vezes algum jogador pode passar dos limites, como foi com o Ganso (se negou a cumprimentar Juan Carlos Osorio após uma substituição) e com o Michel (Bastos, flagrado xingando o colombiano), mas o importante é que no outro dia as coisas se resolvem. São coisas que não deveriam acontecer, mas às vezes fogem do controle. O modo justo é pedir desculpas e acabar ali. Foi assim com o Michel, com o Ganso e já foi comigo. Nosso objetivo tem que ser sempre maior que uma briguinha.

A liderança do Kaká ainda faz muita falta ao grupo?

Ele foi uma peça muito importante, ajudava muito o grupo. Foi um momento especial, ele ajudava todo mundo, mas temos que viver com isso, não tem como acontecer de novo. Ele está super bem na Liga (MLS), tenho acompanhado. Temos que esquecer essas ausências e pensar no nosso dia a dia e nas pessoas que temos aqui para alcançar nossos objetivos.

Você exerce algum tipo de liderança no elenco?

Tento demonstrar meu trabalho e ajudar quem chega, especialmente os mais jovens. Fui capitão outro dia e fiquei muito feliz com o gesto do Rogério. Eu posso, quem sabe um dia, ser capitão do São Paulo.

Foi você que pediu?

Não, isso foi falado e não foi assim. Estava conversando com o Milton (Cruz, auxiliar técnico), falamos sobre meu tempo no Milan e disse que queria ter sido capitão pelo menos uma vez num clube. Acabou ali. Aí estava amarrando a chuteira antes do jogo contra o Atlético-MG e, quando eu levantei, o Rogério tirou a faixa dele, deu para mim e falou “hoje é seu dia. Vamos lá”. Foi um momento muito especial, não tem como apagar. Vou levar para o resto da minha vida.

Mas para você ser capitão a partir do ano que vem, você precisa continuar…

Está saindo muito sobre meu futuro. Tenho contrato com o Corinthians, meu dever no fim do ano é voltar. A minha vontade é permanecer no São Paulo, mas também não pus um ponto final no que fiz na Europa. Tenho vontade de jogar uma Champions League, mas ainda tem tempo para pensar e resolver. Estou focado no São Paulo, é hora de tentar ajudar o time a se recuperar no Brasileiro e brigar forte nessa Copa do Brasil.

Já está bastante claro que, para você continuar no São Paulo, você precisaria reduzir seus vencimentos. Existe essa possibilidade?

Já tive uma redução alta no meu salário quando voltei ao Brasil. Tem muito para ser conversado e minha vontade é permanecer no São Paulo; tem muito tempo para ver o que eles pensam e podem apresentar. Tenho que pensar apenas no que faço no futebol, existe gente que cuida disso.

Você recebeu algo de concreto?

Tem muita gente querendo me vender. Algumas pessoas falam que têm autorização minha para conversar com clubes, o que não é verdade. Meu empresário é um só. Essas pessoas que falam que posso ir para esse ou aquele clube estão mentindo.

O que vale mais: ficar no Brasil, seja no Corinthians ou no São Paulo, ou ir para um clube médio na Europa?

Difícil falar porque não sei o que vai acontecer. O que posso dizer é que me sinto muito bem em São Paulo, estou adaptado e gosto de viver aqui. Me sinto bem aqui, tenho amigos, mas não sei o que vai acontecer. Espero, antes de tudo, terminar bem esse período de empréstimo.

Seria estranho voltar ao Corinthians e enfrentar o São Paulo no ano que vem?

Sou um profissional. Da mesma forma que vim para cá sabendo que seria difícil conquistar a torcida por ter jogado num rival e ter feito gols no São Paulo, se eu voltar farei meu trabalho do mesmo jeito. Tenho que respeitar.

Você já se vê como um exemplo para os mais jovens?

Outro dia, o Lyanco (zagueiro promovido da base) postou uma foto comigo e agradecendo por jogar comigo. Foi muito legal porque lembrei de quando fiz a mesma coisa com o Ronaldinho, o Ronaldo, o Seedorf, Pirlo. Eu me senti feliz porque passei por aquilo. Quando você vê alguém fazendo isso com você é muito legal e tento ajudar sempre porque é muito diferente a categoria de base do profissional. Tudo que eu puder ajudá-los eu terei o prazer em fazer.

Seu potencial é grande e sempre se imaginou que, a esta altura, você estaria no nível dos grandes jogadores. O que aconteceu para você não ter atingido esse patamar ainda?

Fiz algumas coisas muito rápido, mas não acabou tudo por aí. Meu percurso na Europa, minha vida por lá; tenho muito para trabalhar, para apresentar. Vim ao Brasil pela recuperação e nisso fui ficando. Cheguei ao São Paulo querendo ser campeão e tenho muito para conquistar lá fora ainda. Só vou poder falar isso quando acabar minha carreira. Falta uma Champions. Tenho certeza de que voltarei à Seleção e trabalho para que isso aconteça o mais rapidamente possível.

Você acha que o que algo do seu lado pessoal possa ter influenciado na sua carreira?

Foi apenas a questão das lesões, mas só isso interferiu. Foi por isso que voltei para o Brasil e hoje estou vivendo uma sequência boa, sem me machucar e jogando um bom futebol.

A sua comemoração do piano (Pato simulou tocar o instrumento ao marcar sobre o Cruzeiro), se fosse no Corinthians pegariam no seu pé pela cultura diferente do clube?

É uma comemoração que para mim não incomoda. É meu sonho aprender a tocar, no dia estava ouvindo algumas músicas com piano ao fundo e falei que iria fazer se conseguisse marcar.

Está fazendo aula?

Estou tentando criar coragem, mas há pouco tempo livre. Tenho meus aplicativos no celular que de vez em quando eu brinco, quem sabe um dia não aprendo e toco no CT? (risos). No Milanello tinha um piano, eu ia em óperas na Itália, mas não é tão simples. Tentei tocar violão; o Eros Rammazzotti (um dos mais famosos cantores italianos da atualidade) morava ao lado de casa e me indicou um professor, mas não consegui. Por isso estou optando pelo piano.

Você sempre se notabilizou por ter uma vida social agitada, mas tem ficado menos nos holofotes. Está mais recluso?

Eu vivo minha vida; se vou ao Rio de Janeiro, vão tirar foto porque lá tem muito mais paparazzi que em São Paulo. Na Itália tinham fotógrafos que dormiam na porta do meu prédio. Você evita, mas tem horas que você também quer ir a um restaurante. Sei que vão fotografar, mas como vou deixar de ir ao Rio que é onde mora minha namorada (a atriz Fiorella Mattheis)? Nunca pedi para ser exposto, mas pelas relações que tive, é interessante para esse mundo de celebridades se você está ficando, se está saindo, beijando. Na minha vida eu aproveito o dia a dia.

Você se considera uma celebridade?

Eu vivo minha vida como tenho que viver. Quando você perde, não sai para jantar; quando ganha, sai. Quando você namora pessoas que são daquele meio, você acompanha e vira uma celebridade, as pessoas passam a falar de você fora do esporte. Meu foco não é aparecer, mas não vou deixar de viver porque vai aparecer. Às vezes as pessoas são maldosas; tenho uma vida fora da profissão como qualquer um, gosto de fazer coisas normais.

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