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A mulher negra na política

Um dos grupos minoritários mais discriminados na sociedade brasileira é, sem dúvida, aquele composto por mulheres negras. Embora numeroso, somos um contingente que ainda patina no que tange a questões como inserção no mercado de trabalho e luta contra a discriminação e violências diversas. E, claro, representatividade e participação política, sem as quais torna-se ainda mais difícil alcançar uma sociedade mais justa e igualitária. Atualmente, a Câmara dos Deputados possui 513 parlamentares, dos quais apenas 0,39% são mulheres negras – um número ínfimo e demonstrativo do estado de invisibilidade ao qual estamos submetidas. Portanto, é imperioso discutir participação política e empoderamento das mulheres negras como estratégia de transformação social. Recentemente, em outro artigo, ponderei que as mulheres, em linhas gerais, estiveram e ainda estão em diversos espaços de poder, mesmo que em número infinitamente menor que os homens. Entretanto, quando aplicamos o recorte da negritude, vemos essa presença reduzida a quase zero, limitando-se a cargos que, de alguma forma, estejam ligados a questões raciais. Ou seja, além do machismo, o racismo estrutural impõe barreiras que impedem a ascensão das mulheres negras nos principais espaços e posições de decisão política, embora atuemos de maneira cada vez mais efetiva em movimentos sociais, coletivos e outros grupos de luta e resistência. Diante desse cenário, torna-se difícil efetivar políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher, por exemplo, ou de promoção da igualdade racial e de valorização da mulher negra. É por isso que, enquanto representantes do povo, seja como vereadora, deputada ou senadora, temos um papel preponderante nessa luta, principalmente se formos mulheres ou, como no meu caso, mulher negra. Nesse Novembro Negro, por exemplo, realizamos, dentre outras ações, uma palestra sobre os desafios enfrentados pela mulher negra no mercado de trabalho. Na minha fala, ressaltei que uma mulher negra é duplamente discriminada e preterida na hora de tentar conseguir uma vaga de emprego, uma vez que ela representa duas minorias historicamente marginalizadas. E, se nos é negada a chance de movimentar a economia, nossa cidadania e nossa possibilidade de participação política se fragilizam. Em síntese, ainda estamos muito longe de alcançar um sistema representativo que, efetivamente, inclua a mulher negra como voz ativa e atuante na tomada de decisões. No entanto, é imperioso lutar diuturnamente em busca de transformação social, porque, enquanto o racismo institucional não for amplamente debatido e reprimido, o retrocesso será nosso único destino possível. *Ireuda Silva é vereadora de Salvador pelo PRB.

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