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Casos recentes de gêmeos siameses em SAJ podem estar ligados a qualidade da água e solo

O uso de agrotóxicos pode estar por trás dos dois casos de gêmeos siameses nos últimos dois meses, um em agosto e outro em setembro, na mesma localidade, a cidade de Santo Antônio de Jesus no Recôncavo da Bahia (lembre os casos aquiaquiaqui e também aqui), conforme análise do médico especialista em separação de bebês xifópagos e deputado federal Zacharias Calil (DEM). Os casos recentes e tão próximos despertam interesse, dúvidas e teorias sobre os fatores que levam à condição, uma vez que a incidência de gêmeos siameses, unidos em alguma região do corpo, é de um caso a cada 200 mil nascidos vivos, de acordo com o médico.

Ele ainda afirma que não se pode descartar a influência de questões externas para o aparecimento de casos de gêmeos siameses, também chamados de xifópagos ou conjugados. “Eu acho que tem alguma coisa ocorrendo, existem vários estudos em relação a gêmeos siameses que as alterações do meio ambiente estão sendo um fator preponderante”, ponderou o especialista. 

Ao listar possibilidades de relacionar fatores externos com o aparecimento de casos próximos e mais frequentes, Zacharias Calil chamou a atenção para os agrotóxicos. “Eu falo muito em relação a agrotóxicos. Não sou contra a utilização, mas é a maneira que ele é utilizado, sem controle efetivo”, analisou o médico que acompanha cerca de 42 casos de gêmeos siameses no Brasil e já realizou 18 procedimentos de separação de bebês.

Para ele, o grande problema do uso dos agrotóxicos e contaminação do solo, da água e dos animais está na manipulação dessas substâncias pelos pequenos produtores, que podem não ter tanto conhecimento e orientação sobre procedimentos de segurança e sanitários. “Tem uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás que constatou que essas regiões, em que há manipulação de pequenos produtores, a contaminação é muito grande, tem alteração do DNA, inclusive dos animais também”, argumentou.

A realização de análises aprofundadas nos locais com maior incidência de casos, como Bahia e Espírito Santo, foi sugerida por Zacharias Calil. A iniciativa, para ele, poderia ser tanto do ministério da Saúde, quanto de governos estaduais ou municipais.

SEPARAÇÃO CIRÚRGICA

O procedimento de separação de gêmeos siameses envolve uma série de questões delicadas, que não acabam com o processo cirúrgico de cerca de 12 horas. Antes da separação, os gêmeos são submetidos a uma primeira cirurgia para colocada de expansores de pele, o órgão é de extrema importância para o sucesso do método. Zacharias Calil explica que a expansão começa a ser estimulada 30 dias após a primeira cirurgia.

A separação é mais viável quando os gêmeos não compartilham os órgãos vitais. A média de tempo de preparação para o procedimento é de quatro meses. Passada a cirurgia, as crianças são submetidas ao tratamento com antibióticos, e ainda há dificuldade em fazer os rins voltarem a funcionar. “O maior problema é fazer os rins funcionarem, quando se separa provoca uma reação, um trauma. Eles compartilham tudo, nutrientes, órgãos, pele. Quando separa provoca uma reação violenta”, sinalizou o especialista.

Ele ainda chamou a atenção para um fato curioso percebido durante o acompanhamento de bebês siameses: a criança menor geralmente é mais forte e responsável por nutrir o irmão. “O menor sempre mantém o maior e quando se separa o gêmeo maior é parasita, a gente acha que o menorzinho é o que mais sofre, mas não é a realidade”, explicou.

Todos os procedimentos realizados por Zacharias Calil são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, nunca teve problema em conseguir o material, humano e físico, necessário para a realização das cirurgias. “Eu trabalho com muita tranquilidade, todos os procedimentos que já fiz não tive problema com pessoal ou materiais. Não tenho dificuldade em formar equipe, a maioria dos médicos querem participar, a gente consegue todo o equipamento necessário”, assegurou.

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